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Oktoberfest |
A primeira caracteriza-se por enaltecer Blumenau e permanecer no mundo do sonho, a segunda distingue-se por chamar a atenção para o mundo real, como exemplos Labes tomou dois autores Lindolf Bell e José Endoença Martins.
No corpo do texto encontramos dois trechos que deixam bem claras as características dos autores:
"Se me quereis longe da paixão:
tirai o cavalo da chuva
Pois menor que meu sonho
Não posso ser"
Lindolf Bell, "Poema do Andarilho" em " O Código das Águas"
"Nesta cidade
de vampiros
um espirro
é mais que um susto.
Acorda-se
sobresssaltado
dorme-se
com muito custo"
José Endoança Martins em "Poelítica"
Brilhantemente o autor conclui o texto da seguinte forma:
" Parece-me que 'numa cidade de ritos combalidos', onde aspessoas têm os 'olhos enxaimel' (Endoença), acordar de fato para uma realidade dolorida e penosa _ que, afinal, é a realidade da realidade dos fatos_ é, pelo menos, uma tentativa de crime contra o sonho. O sonho que, por aqui, é uma das únicas saídas ainda, deve ser preservado antes de tudo, através principalmente de sua arte inerte, de suas discussões inexistentes e de sua poesia sonâmbula, que escreve dormindo e não pode ser acordada."
Não é à toa que Dennis Radünz, José E. Martins e Marcelo Labes não são ovacionados pela mídia local nem pelos espaços públicos, Blumenau prefere viver no Mundo de Lindolf Bell, um mundo perfeito de sonhos, talvez, nunca realizáveis, forjando verdades e ignorando a realidade. Fomos ensinados a isso, quem nunca ouviu os títulos de "Pedacinho da Europa", "Alemanha Tropical" e "Vale Europeu" dados, por nós, a nossa cidade. Como disse Marcelo "Nossos cidadãos tem de conviver com o trauma de não viver na Europa" e sim em um país, em uma cidade, de Terceiro Mundo onde as pessoas se amontoam em favelas,a educação e a saúde são precárias....
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Condições precárias da Pedro Krauss |
Mas ninguém percebe pois vive-se NO sonho de ser a "Alemanha Européia".
Nos rodeamos de mentiras para viver esta fantasia, o melhor exemplo é o MITO FUNDADOR (SILVA, 2008), pois a realidade é bem diferente.
Em 1850 quando o "bondoso" Dr. Blumenau chegou aqui já havia uma população consolidada provinda do Rio Garcia da cidade de Camboriú e por isto o bairro recebeu este nome,(AHIMED, 2007) portanto ele e os 17 imigrantes não foram os primeiros a aportar por aqui, mesmo porque os índios já estavam presentes muito antes dos europeu conquistarem este território. O nosso "herói" viu em nosso país uma boa oportunidade de ganhar dinheiro, apresentou ao império um projeto de colonização e cobrou dos imigrantes para trazê-los até aqui e trabalhar para ele, pois a colônia era uma empresa de Hermann Bruno Otto von Blumenau, esta não vingou e foi vendida para o governo(BRASIL, 2009). Aproximadamente 25 anos depois vieram o Italianos (FRAGA,2010) (tanto os alemães como os italianos procuravam condições melhores de vida, visto que, seus países estavam lutando por sua unificação, o conhecido Giuseppe Garibaldi lutou pela unificação da Itália), os poloneses também desembarcaram por aqui. Após várias imigrações européias, a dizimação dos indígenas e muitos anos passados, começaram (+- 1970) as imigrações de brasileiros que continuam até hoje.
Agora pergunto-lhes onde está a cultura preservada desses povos que formam nossa cidade hoje? Onde está a "Vila Italiana"? A "Polonesofest"? Porque o ensino de Xokleng não é uma opção nas escolas públicas? Cadê a mostras de "cultura brasileira" de nossa cidade? Onde escoderam a cultura negra? Simplesmente não "existem", porque decidiram que Blumenau deve ser uma cidade Pseudo-Germânica, com uma Pseudo-Cultura.
Não estou defendendo o extermínio da cultura alemã, mas sim a caracterização real de nossa cidade com o apoio público para a expressão de todas as formas de cultura, pois, se um povo sem cultura é um povo sem identidade, sem auto-estima, no que se torna um povo com uma cultura enfiada esôfago abaixo?
Abraços e bom fim de semana.
REFERÊNCIAS
AHIMED - http://www.furb.br/gphavi/tcc/TCCSiyyidKazim.pdf
BRASIL - http://www.iica.int/Esp/regiones/sur/brasil/Lists/Publicacoes/Attachments/63/Diversidade%20do%20campesinado%20vol1%20NEAD.pdf#page=276
EXPRESSÃO UNIVERSITÁRIA, Número 18. Ano3. Mar. 2011.
FRAGA - http://www.circolotrentino.com.br/site/downloads/arquivos/artigo_rixas_italianos_alemaes.pdf
Google Tradutor - http://translate.google.com.br/#pt|de|ol%C3%A1%20gente
Google Tradutor - http://translate.google.com.br/#pt|de|ol%C3%A1%20gente
SILVA - http://proxy.furb.br/ojs/index.php/linguagens/article/view/1160/922
SUGESTÕES DE LEITURA
http://www.revistapersona.com.ar/Persona65/65Flammariom.htm
http://www.poetasnosingular.com.br/page_poeta_dennis.html
http://www.bc.furb.br/sarauEletronico/index.php?option=com_content&task=view&id=15&Itemid=33
http://proxy.furb.br/tede/tde_arquivos/3/TDE-2009-02-18T080906Z-442/Publico/Diss%20Catia%20Dagnoni.pdf
Relmente, a realidade não é vivida em sonho. Blumenau tem um desejo platônico de ser numa cidade européia, mas convenhamos, estamos longe de possuir infreaestrutura e base para tanto.
ResponderExcluirFalaste do ensino de outras linguas em escolas públicas, ai questiono: Como uma cidade de costumes e ideais exrtangeiros não ensina a própria lingua que diz ser sua origem?
Entramos em varias divergencias em vários sentidos: educação, cultura, costumes, política.
Mas enquanto ninguém acorda desse sonho, vamos vivendo o velho estilo enxaimelado de nossa cidade e reverenciando uma coisa que não nos pertence.
Parabéns Marcos, ótimo texto!!!
Se fosse eu a escrever uma coisa dessas era tachada de imigrante porto alegrense mau agradecida, né?
ResponderExcluirMas faço tuas as minhas palavras.
Além do que essa situação de querer formatar a todas as pessoas com o mesmo tipo de cultura é estéril.
Como disse Nietzsche (alemão sim, mas crítico severo da sua própria nação!),em seu famoso Humano Demasiado Humano:
"A opinião coletiva é a preguiça privada" ou mesmo para citar o popular Confúcio "a unanimidade é burra".
Torço pela pluraridade.